Quinta-feira, Maio 03, 2007

- Quero morrer contigo
- Não quero que morras comigo. Quero que morras longe.


Cada vez que tento fugir de mim assola-me este teu olhar, como duas bolas de nada, de vazio, dois olhos que nunca dizem o que vêem ou que sentem.

- Quero morrer contigo porque quero que toda a minha vida seja a tua por proximidade
- Mas eu quero que não morras ao meu lado.
- Eu sei. Eu quero morrer contigo porque quero morrer longe e que morras longe comigo, ao meu lado, ao mesmo tempo. Quero saber, ter a certeza que nem eu nem tu, nenhum de nós sofra com a partida, a ausência do outro.

Cada vez que tento exprimir o que arde cá dentro acabo sempre por sair frustrado com a reacção de quem me escuta. Não percebem. Nem que explique ou tente. Tento.

- E não quero sofrer e ver-te fugir ou sentir o meu corpo fugir sem sair do espaço, fugir com o tempo, sem poder agarrar-te e arrastar-te comigo.

Eu não conheço as coisas deste mundo. Conheço o ócio e a preguiça de um corpo cansado logo pela manhã. Não tenho os olhos de quem acorda e vê o dia recebê-lo de braços abertos como um regresso de uma viagem demorada, atrasada pelo mau tempo, pelo carro que se intrometeu na linha do comboio de alta velocidade. Os meus olhos vêem o sonho que ficou para trás, o sonho que nunca terá o seu termo, o sonho abandonado por uma merda qualquer.


- Quero morrer contigo
- Não quero que morras comigo. Quero que morras longe.


Fica comigo. Lembras-te? Ficamos sozinhos na sala da pequena galeria dos coimbras. Olhaste-me pelo reflexo do vidro que separa a obra de quem a olha. Olhaste-me, fixaste-te no meu nariz ou na boca, não percebi, como que a ganhar coragem de me abordar da forma mais directa possível, dizer-me «Deixa-te de merdas e dá-me um beijo!». Por vezes precisamos de desafiar o diabo para sentir que estamos vivos.


- Quero morrer contigo
- Não.


Os dias queimam lentamente a mortalha do cigarro. Dos cigarros todos, todos a seguir aos outros.

- queria poder dizer-te que sim, que te quero para sempre e sempre.

Não acredito. Já não acredito em tudo o que me dizem que sentem, em tudo o que salta das bocas que tocam na minha, nas minhas.

- Sabes? quando menos espero o tempo custa a passar, demora eternidades até que toque a próxima música. E sem saber porquê dou por mim a olhar fixamente o relógio como um gato a radiografar a presa.
- Pensas demais. Não achas que pensas demais?
- Acho.

E não gosto. Mas sinto que se não o fizesse correria o risco de ser confundido por mim próprio com um outro próprio qualquer. Sinto que deixava de ter interesse, que me tornaria ainda mais enfadonho, mais insuportável do que realmente sou. Sei que nunca conseguiria viver comigo, de manhã até à noite, da noite até de manhã. Se todo o dia fosse formatado por um ideal que conseguisse concluir após todas as possíveis cabeçadas na parede. Talvez a criança que viveu em mim tivesse algum propósito quando durante a noite, em sonambulismo, batia desmesuradamente com a cabeça na parede branca e rugosa acoplada à cama.

- E então?! Porque continuas? Porque tens de ser sempre tão hiper-crítico?

Basta. É melhor parar por aqui.

Domingo, Março 18, 2007

Escrevo-te sem morada, sem retorno, sem querer. Escrevo sem um apoio, com a caneta a levitar e a riscar o fumo do cigarro que foge pelas frinchas da janela. Escrevo sem um tecto, sem um ombro, sem a escolha do dia ou da noite, sem a vontade da escolha. Escrevo sem folha. não leio porque não te vejo. não te vejo sobre o rio sem o sonho de correr, e correr pela ponte velha e quando é que te encontro? O tempo passa constantemente devagar. Queima rapidamente os cigarros desse cinzeiro transbordado de desejos.


Sexta-feira, Março 16, 2007

E mais uma vez o cinzeiro transborda de incertezas, de confissões, de desvarios. Despejo-o? Deito tudo isto ao lixo e esqueço tudo o que me levou a enchê-lo? Achas mesmo que é uma fuga?


Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007



"scream", Petar Pismestrovic

Sábado, Janeiro 27, 2007

Quinta-feira, Janeiro 25, 2007

Quando o tempo deixar de ser tempo e passar o tempo a simplesmente passar o tempo, a nossa noção deste em relação ao espaço a que estamos confinados surgir-nos-á de uma forma bastante mais nítida, quer pela evidência do facto quer pela evidência dos factos condicionados pela relação dos dois. Quando deixares de pensar esse tempo que tanto te atormenta as horas de sono em que não dormes, a nitidez dos objectos que te rodeiam será mais próxima da realidade que não vemos. E aí encontrarás respostas que nunca pensaste possíveis de pensares.

Terça-feira, Janeiro 02, 2007

Well did you hear, there's a natural order?
Those most deserving will end up with the most
That the cream cannot help but always rise up to the top
Well I say...shit floats

If you thought things had changed
Friend, you'd better think again
Bluntly put, in the fewest of words:

Cunts are still running the world
Cunts are still running the world

Now the working classes are obsolete
They are surplus to society's needs
So let 'em all kill each other
And get it made overseas.
That's the word, don't you know?
From the guys that's running the show
Let's be perfectly clear boys and girls:

Oh, cunts are still running the world
Cunts are still running the world
Ah, yeah!

Oh, feed your children on crayfish and lobster tails,
Find a school near the top of the league
In theory, I respect your right to exist
I will kill you if you move in next to me
Ah, it stinks, it sucks, it's anthropologically unjust
Oh, but the takings are up by a third,

Oh, so cunts are still running the world
Cunts are still running the world
Cunts are still running the world
Cunts are still running the world

The free market is perfectly natural
Or do you think that I'm some kind of dummy?
It's the ideal way to order the world
Fuck the morals - does it make any money?
And if you don't like it, then leave
Or use your right to protest on the street
Yeah, use your right, but don't imagine that it's heard

No, not whilst cunts are still running the world
Cunts are still running the world...

jarvis cocker

Domingo, Dezembro 31, 2006

Nesse dia de chuva entrei por essa porta e virei-me para trás, com gotas a escorrerem-me pela cara, caídas do cabelo. O granito estava ainda mais cinzento e as flores pareciam querer fugir com saudade. O dia já me pesava nos ombros. Mesmo num lugar edílico, a chuva não cai sempre como quem toca piano.


Nem aqui te encontro.

Até não haver nada mais importante que esta escrita, vou escrevê-la. Até cansar o calo do anelar direito, até esgotar todas as folhas do mundo, de todas as árvores caducas. Até sentir ao longe que nem de perto te vou cheirar. Até saber, ter a certeza absoluta que nada mais posso fazer, que nada disto é verdade, que a hiper-realidade que teima em passear-se em frente dos meus olhos não passa de uma ilusão, de um pesadelo mal narrado.



Para quando a estagnação desta vontade constante de fugir de tudo? Para quando o conforto de não querer mudar nada, da perfeição absoluta? Em todas as camas que me deitei senti que não eram minhas. Em todas as ruas, em todas as mesas de café, em todos os balcões sujos de bares sujos ou limpos ou cheios ou vazios. De todas as noites que partilhei contigo acabaste sempre por fugir, por evaporar nos meus braços. Fustigo-me constantemente com estes espasmos, com estas paranóias sem resposta, com fundamento. Deixam de ser paranóias e passam então a preocupações doentias. Calo-me. Adormeço e tento sonhar com algo fácil. Raramente lá chego e perco-me novamente.

Sábado, Maio 20, 2006

Estou entalado. Rebento a qualquer instante. Tudo o que me rodeia parece contribuir para este estado embriagado de loucura interior. Apetece-me sair pela porta fora e nada dizer às duas pessoas que partilham a mesma divisão comigo. E o mesmíssimo tempo. O meu cérebro ordena aos olhos que chorem e eles não obedecem. Não consigo chorar e isso está a dar comigo em doido, a cabeça começa a latejar lentamente com uma ameaça de aumento progressivo e contínuo. Nada do que faço merece a mínima atenção, merece o mínimo reconhecimento por parte das pessoas que me conhecem. E surge demasiadas vezes no pensamento a forma mais simples de resolver todo e qualquer problema. A merda do tempo teima em não abrandar, estagnar ou voltar a correr com a pouca celeridade de outrora. Suo de raiva. Mordo o lábio inferior de desespero, de desconhecimento de uma saída de emergência neste labirinto-corrupio de ideias em erupção contínua. PÁRA. Estou farto. Estou mais uma vez farto de tudo, de me aturar, de me ouvir silenciosamente e de não me calar. Tenho a perna dormente. a esquerda.

Terça-feira, Maio 02, 2006

senti-a como uma faca. Uma faca que percorreu todo o meu cérebro de molusco hermafrodita. Agora sinto a cabeça com batidas cardíacas a estalarem entre ouvidos. Não perder nada daquilo que tenho de bom, do pouco que tenho de bom. Não esquecer o que tenho e posso perder, o que posso ter e não devia ter e o que quero ter e não posso ter ou não me deixam. Não deixar de viver o presente sem viver unicamente o presente em função do presente. E quero poder ter todo o mundo inteiro visto da minha janela, ao alcance de um virar e abrir de pálpebra, não na palma de uma mão mas ao alcance delas. Será que sou eu que leio nas entrelinhas ou são as entrelinhas que me lêem e me reflectem no monitor em formato palavra-aglomerado-confuso-de-caracteres? uma língua estranha, um código criado por mim do qual desconheço por completo a decifração.

Por vezes sinto-me longe do mundo a 3D que supomos conhecer bem. Fico perdido em frases soltas, sem conterem uma interpretação plausível. Frases que ecoam na minha cabeça e ali ficam, como bolas de ping-pong ou raios de sol a reflectirem-se de vidro em vidro, de espelho em espelho. E quando acordo e me apercebo de que viajava por um espaço-tempo diferente daquele em que o meu corpo se encontra, é como se acordasse de um sonho, numa noite atribuladamente complexa, com sonhos que não acabam e se interligam, se interseccionam de uma forma, eu diria, esquizofrénica. Os pensamentos, ou aquilo a que chamamos de linha de pensamento, não são uma linha mas uma encruzilhada de caminhos de terra que não vão dar a lado algum a não ser a outros semelhantes ou a eles próprios. Um labirinto criado em tempo hiper-real, no decorrer do percurso, constantemente alterado, em interacção automática com a caminhada atrás percorrida. Como num qualquer jogo em que os caminhos percorridos são criados de forma aleatória, mas neste caso o jogo é inteligente e cria um caminho baseado nos últimos passos dados pelo jogador.

Domingo, Janeiro 01, 2006

Os dias simples esvaziam-te o ego. como uma ferida que alastra pela pele até te cobrir todo o corpo. Quando te sentes obrigado a tê-los, quando és obrigado a tê-los apetece-te fugir para lado nenhum, partir tudo pelo caminho e mostrar a todos que as coisas não têm de ser obrigadas, não têm de ser impingidas. Ninguém te impinge um par de luvas que não queres comprar e não o compras. Mas se te impingem uma vida, um estilo de vida, uma profissão, uma carreira, um curso, um crédito, uma lei, calas-te e dormes à hora que te obrigam e comes à hora que te obrigam e adormeces à hora que o corpo te obriga e levantas-te da cama a pensar que o mundo que sentiste nas últimas horas é bem mais interessante e agradável que aquele para onde te apressas a ir com a roupa que o espelho recusa a ver. «Why live in the world when you can live in your head?», questionava o Cocker e acenavas tu com a cabeça há poucos anos atrás. Mas afinal quem és? Em que é que te tornaste ao longo de todos estes anos de sono aluado, de caminhos desconhecidos, de tentativas frustradas de tornar os dias mais singulares, menos mortais? Onde está a tua sorte que todos invejam e afirmam teres em abundância? Enganaste? Enganaste e a sorte não surge porque não és tu, és sim alguém que criaste dentro da cabeça porque assim to obrigaram a fazer. Formataste o teu dia e adormeces na TUA noite. É como um fungo que alastra doentiamente pelo teu corpo, que se apodera dos teus pensamentos ao qual te tornas submisso numa sensação estranha e mentirosa de que o fazes para o teu bem-estar e equilíbrio físico, mental, social e paranormal. Apagaste de cada vez que questionas e desapareces de cada vez que adormeces nesta teia. Os romances não existem. Existe uma terrível sensação de desconforto debruçada debilmente sobre a vida que nos obrigam a ter. Pensas em explodir e fugir para onde não sabes e começar tudo de novo e apagar tudo de novo e deixares-te levar por ti próprio numa tentativa de fruição natural dos acontecimentos e de adaptação pura, ingénua e só tua, sem anexos e letras minúsculas quase ilegíveis.

Terça-feira, Outubro 25, 2005



a sociedade do medo. começam a incutir-nos desde pequenos a paranóia da segurança e dos outsiders. o ar de pintas do turista/imigrante sul-americano ou não, de camisinha branca às riscas vermelhas, já a tocar levemente nas tradicionais camisinhas de prisioneiro, com uma mala aparentemente inofensiva mas que pode perfeitamente conter uma quantidade astronómica de antrax, coca ou um qualquer explosivo maléfico. e a senhora polícia para dar um ar ainda mais clean, ainda mais socialmente correcto.

tks tape

Terça-feira, Outubro 11, 2005



As tempestades tropicais mais mediáticas têm maioritariamente nomes femininos. A única que ameaçou o nosso país chamava-se Vince. Será pertinente reflectirmos sobre este facto?

Segunda-feira, Outubro 10, 2005


A História é actualizada por nós todos os dias. Por vezes dou por mim a analisar factos da sociedade, notícias banais, conflitos políticos em países dito desenvolvidos, numa civilização que se auto denomina de supra-civilização. Intrigas entre seres humanos contemporâneos que partilham todos os dias o mesmo espaço-tempo, os mesmos problemas, as mesmas preocupações. Por vezes dou por mim a interpretar estas futilidades do quotidiano como se as estivesse a ler num qualquer manual de História a dezenas de anos de distância. E o que mais dói é reparar em pessoas aparentemente inteligentes a compactuarem nessas intrigas, a jogarem o mesmo jogo com as mesmas regras e a fortalecerem o carácter instintivo e animalesco dessas situações sem nexo, sem frutos, sem conteúdo que não tornam as coisas mais fáceis, mais simples. desenvolvidos em quê? pergunto.

Domingo, Outubro 09, 2005


só há bem pouco tempo concluí que o tédio inspira.

Sábado, Outubro 08, 2005



será que ninguém reparou que as folhas lembraram-se de cair na noite anterior ao eclipse?

Sexta-feira, Agosto 12, 2005



raínhas com tatuagens nos ombros, nos braços. e é assim como se nada mais fosse ou existisse, nada engana ninguém. Porque entre os olhos de quem se fixa há sempre mais para além do que sentes. há mais do que dois simples pares de olhos e não se reduz ao que sentes de estranho, ao que sentes automaticamente. Há um sem fim sem fios que se estende até onde menos esperas, até além do que esperas. ou não esperas porque não percepcionas, não sentes o que realmente lá está, entre os olhos que se fixam.

Terça-feira, Julho 26, 2005



Diz-me devagar coisa nenhuma, assim
como a só presença com que me perdoas
esta fidelidade ao meu destino.
Quando assim não digas é por mim
que o dizes. E os destinos vivem-se
como outra vida. Ou como solidão.
E quem lá entra? E quem lá pode estar
mais que o momento de estar só consigo?

Diz-me devagar coisa nenhuma:
o que à morte se diria, se ela ouvisse,
ou se diria aos mortos, se voltassem.

Jorge de Sena

Quarta-feira, Julho 20, 2005



O tempo queima os meus sonhos. Desloco-me a cada voz que ouço. Não sou eu que me desloco. É a música que toca na minha cabeça de cada vez que tento ouvir alguém e não o quero fazer e a voz está cada vez mais longe do epicentro da minha atenção e cada vez mais alta a dissolver-se na música alta que protege o núcleo de ataques exteriores ao bom funcionamento de um órgão que sabes ser imprescindível. Não ouço porque não quero. apenas ver-te a tentar ter a minha atenção desmedidamente, aliada de um olhar que te explora todos os poros da cara. Sabias que és linda numa noite de verão quente? Não preciso de explicar mais nada depois de dar a entender que isto se passa e passa-se como uma nuvem baixa que se desloca rapidamente na direcção de um horizonte que deixou de existir porque não o vês. Não o sentes nem o pressentes numa noite de verão quente. Não há quem te ajude numa noite de verão quente em que o sonho se desfaz, derrete-se no tanger dos dedos de uma mão que desconheces, numa simples expiração interceptada por alguém que não reconheces numa noite de verão quente. A mão funde-se com o teu corpo e deixa de existir espaço nesse tempo. Há olhares que cruzam os teus em direcção a um nada que existe para lá dos meus. Se puderes resistir a tudo isto talvez consigas adormecer nessa noite de verão quente que te queima superficialmente todos os espaços entre os poros da tua pele. A parede de um quarto não te aconchega à cama. A cama não te abraça se não me queres. A cama estremece a cada sonho em que sentes esse sonho. A memória original. A invenção do primeiro beijo pré-histórico, lembraste? A terra terá estremecido nessa noite? Terá alguém percepcionado a milhares de quilómetros dessa caverna? Não há mais sonhos nesse sonho. Não há mais quem sonhe esse sonho.

Sábado, Maio 08, 2004

Terça-feira, Abril 27, 2004



Janela Amarela - Edição para a madrugada de 25 de Abril de 2004




01. colder - crazy love
02. ms john soda - unsleeping
03. blur - me, white noise
04. alla polacca - silence decoder
05. amon tobin - bridge
06. beck - sex laws
07. scissor sisters - take your mamma
08. interpol - obstacle 1
09. iggy pop - cry for love
10. deus - for the roses
11. dinossaur jr - feel the pain
12. nine inch nails - closer



Janela Amarela - Edição para a madrugada de 24 de Abril de 2004




01. mice parade - two, three, fall
02. múm - nightly cares
03. robert lippok - readymades
04. dimitri from tokyo - toujours l'amore
05. señor coconut y su conjunto - beat it
06. omd - enola gay
07. royksöpp - eple
08. royksöpp - remind me (someone else's radio remix)
09. erlend oye - drop
10. herbert - going round
11. gus gus - acid milk
12. björk - big time sensuality

Terça-feira, Abril 20, 2004



Amanhã o mundo vai acordar verde. da cor do mar. amanhã o mundo vai acordar a pensar. há olhos que não os vêem. No meio de tanta gente nada como reconhecemos o todo? Tenho whisky entre os dentes. Procuro um lugar onde sentar este corpo. Dizem que me pertence. Não encontro, logo não me sento; tomo em pé enquanto folheio o regional. Nem as imagens me prendem mais de três segundos. Caio demasiadas vezes no esquecimento por entretenimento. Acabo por pesquisar outras vertentes de um todo que se confunde com nada. Procuro fugas à auto-crítica, procuro nem sequer pensar que podia procurar pensar numa espiral que me levasse à loucura ou lá perto, ou à ácida percepção de um mundo que não escolhi. Procuro de entre todos qual o mais feliz. O de argila nos dentes? Não me acomodo com novelas de todos os formatos. não. Procuro algo bom! alguma coisa diferente que me distraia. Não com o intuito de ser mais, conhecer mais, ou poder comunicar melhor, objectivo de um qualquer vulgo intelectual; não com a experimentação do estranho ou a angústia de querer mais. Procuro esquecimento ponto. Procuro não pensar. Procuro o que alguém já pensou, o que alguém ousou pensar sem medo da espiral. É para isso que lhes pagamos, para pensarem por nós, porque para além do tempo que é pouco, podemos usá-los como trunfos na sueca da tertúlia do café urbano, de preferência suburbano mas vazio e com gajas. todos os dias, todos os fim-de-semana, todas as vésperas de feriado mal pago, de serões em torno de uma lareira virtual. Os amanhãs esquecem-se do anteontem com a volatilidade de um químico altamente volátil. As ideias desaparecem com a neblina da manhã enquanto que os olhos, esses, recusam-se a abrir. De onde oiço isto ninguém imagina. De onde alcanço espirais ninguém sonha com sonhos próprios, ninguém sente nada seu. Suspiram com o sofrimento e com as folias alheias, ansiando e não mexendo as palhas onde se sentam sempre, sequiosas por mais e muito do mesmo e eterno mesmo. Sequiosas por mais divagações do mundo moderno, por mais reflexões do hoje e do ontem, e por futurologias aladas em películas de filme gasto, em romances do agora, do ontem e do depois de amanhã. Mas amanhã o mundo vai acordar verde. da cor do mar e dos olhos de quem lê.

Segunda-feira, Abril 19, 2004



Janela Amarela - Edição para a madrugada de 18 de Abril de 2004




01. silent poets - i will miss this holy garden
02. einstürzende neubauten - youme and meyou
03. nick cave_bad seeds - from her to eternity
04. mão morta - cães de crómio
05. swans - love will tear us apart
06. barry adamson - goddess of love
07. morrissey - irish blood english heart
08. magnetic fields - the luckiest guy on the lower east side
09. mice parade - two, three, fall
10. massive attack - black milk
11. millenia nova - prélude du porno



Janela Amarela - Edição para a madrugada de 17 de Abril de 2004




01. manual - summer haze
02. b. fleischmann - pass by
03. ulrich schnauss - between us and them
04. arpanet - p2101v
05. the remote viewer - the sound of a fishing kiss
06. opiate - 1% in 2/3 speed
07. björk - undo
08. azure ray - dragonfly
09. nicolette - judgement day
10. sakamoto_sylvian - forbiden colours
11. l'altra - little chair



Janela Amarela - Edição para a madrugada de 11 de Abril de 2004




01. jimi tenor- take me baby
02. lali puna - b. movie
03. fischerspooner - l.a. song
04. kraftwerk - tour de france
05. new order - transmission
06. björk - it's in our hands (the soft pink truth)
07. lcd soundsystem - yeah
08. mu - jealous kids
09. the rapture - house of the jealous lovers
10. adult - turn your back
11. future shock - wide open
12. basement jaxx_siouxsie sioux - cish cash

Sexta-feira, Abril 09, 2004



Janela Amarela - Edição para a madrugada de 10 de Abril de 2004




01. sunburned hand of the man - unless you confess
02. supersilent - 6.1
03. fennesz - laguna
04. fennesz_david sylvian - transit
05. robert lippok - readymades
06. fridge - five four child voices
07. yo la tengo - sugarcube (live)
08. barry adamson - the vibes ain't nothin' but the vibes
09. ian simmonds - mind calypso
10. boards of canada - basefree



as nossas ideias reflectidas em outros olhos. as nossas ideias perfeitamente encaixadas num outro corpo. as imagens de sempre e do nunca e as vantagens do defeito secundário. o um mais um igual a um.

Quarta-feira, Abril 07, 2004



prometo dedicar-me mais e com mais tempo ao blog. desde que o tomo i afundou deixei-me afundar com ele. mas eu volto..




há uns dias ouvi sair da minha boca em disparo desabafo que o amor é o pior dos problemas.



Janela Amarela - Edição para a madrugada de 04 de Abril de 2004




01. bypass - i need words
02. morphine - i'm yours, you're mine
03. belle and sebastian - dirty dream number two
04. yo la tengo - little eyes
05. mice parade - two, three, fall
06. björk - it's in our hands
07. air - radio nr. 1
08. burnt friedmann - sex working class
09. mola dudle - radioplástica
10. sukia - the dream machine
11. stereolab - miss modular
12. ms john soda - unsleeping
13. fischerspooner - megacolon